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A expansão da construção civil em Mato Grosso do Sul não se revela apenas no número de oportunidades geradas. Ela também transforma as trajetórias profissionais e os conhecimentos valorizados nos canteiros de obras.
Entre janeiro e agosto de 2026, o setor abriu 7.392 empregos formais no Estado, segundo dados do Novo Caged. O resultado corresponde a aproximadamente 36% do saldo de postos formais registrado no período e evidencia a relevância da atividade para a economia e o desenvolvimento regional.
Esse avanço ocorre em um momento de constante evolução dos processos construtivos. Novas tecnologias, métodos industrializados e modelos de gestão modificam as funções técnicas, ampliam as possibilidades de atuação e conferem maior precisão às diferentes etapas de uma obra.
Diante desse cenário, atrair profissionais é apenas parte do desafio. Prepará-los para um mercado mais tecnológico, integrado e especializado torna-se indispensável para sustentar o crescimento do setor e transformar oportunidades de trabalho em perspectivas consistentes de carreira.
Profissões que se transformam com o setor

Pedreiros, carpinteiros, armadores, serventes, encarregados e mestres de obras permanecem essenciais ao funcionamento dos canteiros. A experiência adquirida na prática conserva seu valor e, agora, passa a conviver com uma demanda crescente por conhecimentos técnicos e digitais.
Recursos como BIM, inteligência artificial, drones, automação e métodos construtivos industrializados ampliam as possibilidades de atuação. Com eles, competências relacionadas à modelagem digital, ao planejamento, à gestão de dados, à logística e à coordenação de projetos ganham relevância no cotidiano da construção.
Essa evolução não substitui o conhecimento consolidado ao longo dos anos. Ao contrário, integra experiência e inovação para aprimorar processos, elevar a produtividade e tornar cada etapa mais eficiente.
Para Valéria Gabas, diretora da Unidade de Negócio da Plaenge em Campo Grande, o desenvolvimento profissional será determinante para sustentar esse novo ciclo.
“A construção civil está incorporando tecnologias que tornam as obras mais produtivas, eficientes e sustentáveis. Com isso, aumentam as oportunidades para profissionais especializados, ao mesmo tempo em que cresce a necessidade de qualificação das equipes”, afirma.
Qualificação deixa de ser pontual e se torna estratégica
Em um setor em transformação, aprender uma função é apenas o começo de uma trajetória profissional. A atualização constante passa a fazer parte da rotina de quem deseja crescer na construção civil.
“A falta de mão de obra qualificada impacta diretamente a produtividade e, consequentemente, os custos das obras. A qualificação não é apenas uma resposta à falta de profissionais, mas uma estratégia para sustentar o desenvolvimento do setor, incorporar novas tecnologias, aumentar a produtividade e criar oportunidades de carreira”, explica Valéria.

Na Plaenge, o desenvolvimento das pessoas acompanha a evolução dos processos construtivos. A empresa investe em capacitação, inovação e aperfeiçoamento dos métodos de produção, aproximando o conhecimento técnico das demandas encontradas nas obras.
Esse movimento permite atualizar as equipes que já trabalham no setor e, ao mesmo tempo, preparar novos profissionais para as oportunidades que surgem com o crescimento da atividade.
Diversidade amplia possibilidades
A construção do futuro também depende da ampliação das portas de entrada para diferentes perfis profissionais. De acordo com dados da RAIS 2024, as mulheres representam 11,5% da força de trabalho formal da construção civil brasileira.
Embora a participação ainda seja reduzida, o dado revela um campo significativo para a formação de novas profissionais e para a composição de equipes mais diversas.
Em Mato Grosso do Sul, o projeto Elas Constroem dedica-se à qualificação de mulheres interessadas em ingressar na construção civil. Desenvolvida pelo Sinduscon-MS, com a participação da CBIC, do SENAI-MS e da Plaenge Campo Grande, a iniciativa oferece formação em áreas como alvenaria, pintura imobiliária, assentamento de revestimentos e operação de Bobcat.

Além do aprendizado técnico, o programa aproxima as participantes das oportunidades existentes no mercado e cria perspectivas de desenvolvimento profissional.
Para Amarildo Miranda Melo, vice-presidente do Sinduscon-MS, ampliar a participação feminina também contribui para responder à demanda do setor.
“Quando qualificamos uma mulher e abrimos para ela uma oportunidade, estamos ampliando a nossa base de profissionais”, afirma.
O Elas Constroem evidencia como qualificação e inclusão podem avançar lado a lado. Mais do que responder a uma necessidade imediata, iniciativas dessa natureza ampliam o acesso ao conhecimento, fortalecem a autonomia profissional e apresentam novos caminhos para quem deseja construir uma carreira no setor.
Novos caminhos para quem deseja atuar no setor
O crescimento da construção civil abre oportunidades para diferentes perfis profissionais. Há espaço para quem deseja aprender uma função operacional, para quem busca formação técnica e para profissionais interessados em áreas como engenharia, planejamento, inovação, tecnologia e gestão.
Para que essas oportunidades se convertam em carreiras, a aproximação entre empresas, instituições de ensino, entidades setoriais e poder público será cada vez mais importante.
“Precisamos construir uma agenda conjunta de qualificação alinhada às necessidades do mercado. E, além de investir em capacitação, será importante desenvolver programas para atrair mais jovens e mulheres para a construção civil”, destaca Valéria.
O avanço do setor mostra que construir o futuro envolve mais do que incorporar novas tecnologias. Também exige formar pessoas capazes de utilizá-las, criar caminhos para o desenvolvimento profissional e conectar oportunidades de trabalho a perspectivas reais de crescimento.
“O futuro do setor depende da nossa capacidade de transformar oportunidades de trabalho em oportunidades de carreira e desenvolvimento das pessoas”, conclui Valéria.