07 | novembro

A história do ‘tcha cô bolo’ de Dona Eulália, o mais famoso de Cuiabá

Você não leu errado e não há erro de grafia: tchá cô bolo é o linguajar cuiabano legítimo, a forma carinhosa de dizer chá com bolo. E o mais tradicional da cidade é o de Dona Eulália, uma senhora de 84 anos, ícone da cultura gastronômica e unanimidade quando o assunto é bolo de arroz. Ela conta como aprendeu a receita na infância e foi aprimorando ao longo do tempo.

De acordo com Eulália, o gosto por cozinhar começou em 1956, quando chegou em Cuiabá com o marido, Eurico Avelino Soares, e suas duas filhas. O marido, aliás, teve participação importante no sucesso alcançado pela esposa. Foi ele quem construiu o primeiro forno a lenha em que dona Eulália preparou a receita.

Foto | Arquivo pessoal Dona Eulália

Foto: Arquivo pessoal Dona Eulália

“Quando chegamos aqui, pedi ao meu marido, que era pedreiro, que fizesse um forno para eu começar a fazer o bolo de arroz, para ajudar no sustento da casa. Assim que ficou pronto, comecei a colocar em prática aquilo que via minha tia fazendo quando eu ainda era criança”, diz. Ela lembra que no começo não tinha nenhuma medida de ingredientes, ia por tentativa e erro, aprimorando sua receita.

Pouco tempo depois, dona Eulália já dominava todo o processo da preparação. Levantava todos os dias às 3 horas da manhã para socar o arroz no pilão, acender o fogo a lenha e embalar o bolo de arroz que seria vendido. Com o sucesso da receita, a procura começou a aumentar e foi na tradicional Festa de São Benedito, o padroeiro da capital de Mato Grosso, que apareceu uma oportunidade ímpar na vida da cuiabana.

“Como o pessoal estava gostando, começou a aparecer pequenas encomendas para festas e aniversários, e aí o pessoal da igreja me procurou para vender após as missas. E deu muito certo a ideia, eles encomendavam e vendiam tudo no mesmo dia. E na festa de São Benedito, que acontece durante três dias, eu trabalhei por 13 anos, fornecendo o bolo de arroz. Em média, vendíamos quatro mil unidades do bolo em cada festa”, lembra.

Foto do facebook Eulália e Família

Foto: Arquivo Dona Eulália

Hoje, seis décadas após a primeira fornada, Dona Eulália administra seu negócio com a ajuda da família, atendendo em uma área aconchegante, nos fundos de sua residência. Ela ainda segue o mesmo ritual, acorda de madrugada, ajuda e orienta em todo o processo de preparação do bolo de arroz e se diz grata por tudo que conseguiu com este trabalho.

“Só tenho a agradecer a Deus por tudo que consegui até hoje com a venda do bolo de arroz, criei meus oito filhos, netos e bisnetos. Fiz do meu negócio um meio de manter a família unida. Aos domingos, quando o movimento é maior, temos pelo menos dez familiares trabalhando aqui. É algo que me deixa muito feliz, pois sei que quando eu não aguentar mais fazer isso, eles irão tocar adiante”, ressalta.

Foto: Íconepress

Foto: Íconepress

Fotos Íconepress (1)

Foto: Íconepress

Se você ainda não experimentou o bolo de arroz da Eulália e Família, aproveite. Fica aberto todas as terças e quintas-feiras das 5h30 às 10h, e nos sábados e domingos das 5h30 às 11h da manhã, na Rua Professor João Felix, nº 470, no Bairro Lixeira, em Cuiabá.


Receita do famoso bolinho de arroz
Rendimento: 30 a 40 bolinhos

Foto do facebook Eulália e Família2

Foto: Arquivo Dona Eulália

Ingredientes

1 kg de arroz

500g de mandioca

550g de açúcar

1/2 xícara (chá) de manteiga derretida

1 colher (sopa) de fermento

1 pacote de coco ralado (100g)

1 pitada de sal

Canela e erva-doce a gosto750 ml de água

Manteiga ou óleo para untar


Preparo

1º- Deixe o arroz de molho de um dia para o outro. Lave bem, escorra e soque no pilão. Peneire até virar uma farinha e reserve.

2º- Rale a mandioca e faça um mingau com a água já quente em fogo médio. Mexa bem, sem parar. Acrescente o açúcar, misture e desligue o fogo.

3º- Coloque a farinha de arroz, mexa e deixe a massa descansar de um dia para o outro para fermentar.

4º- Adicione os demais ingredientes, misture tudo e asse em fôrma de bolo ou forminhas de empada untadas com manteiga ou óleo.

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Texto: Assessoria de Imprensa Plaenge