05 | julho

Viola de cocho, cultura e tradição

Popular nas festas tradicionais de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, a viola de cocho é considerada patrimônio imaterial brasileiro

“Minha viola chora prima
E a prima chora bordão
Mas óia, eu gosto dela”.

Esses versos são da Toada do Cururu, comumente tocada na viola de cocho, um instrumento musical de cordas utilizado nas festas tradicionais da capital Cuiabá e também das regiões pantaneiras e ribeirinhas.

Governo de Mato Grosso (2)
Produzida por mestres artesãos, violeiros e cururueiros, a viola de cocho recebeu este nome pelo modo artesanal como é confeccionada, utilizando um tronco inteiriço de madeira, escavado até que suas paredes fiquem bem finas, assim como um cocho para animais – recipientes em que é depositado o alimento para o gado.

Nesse cocho, já talhado no formato de viola, são afixados um tampo e, em seguida, as partes que caracterizam o instrumento, como cavalete, espelho, rastilho e cravelhas. A confecção, artesanal, determina variações observadas de artesão para artesão, de braço para braço, de forma para forma.

Thiago Monteiro - Planejamento Gov2

De origem portuguesa, esse instrumento foi reconhecido como patrimônio nacional e registrado no livro dos saberes do patrimônio imaterial brasileiro em dezembro de 2004. Inicialmente, as violas de cocho tinham suas cordas fabricadas de tripa de macaco, ouriço ou da película da folha de tucum, o que mudou ao longo do tempo devido à proibição da caça no território nacional, sendo utilizada atualmente a linha de nylon para a produção de suas cinco cordas.

Por volta de 1950, a viola de cocho começou a perder popularidade entre a comunidade local devido à chegada do rádio e da televisão, mas voltou a ser um dos instrumentos mais populares da região nos últimos 15 anos por iniciativas institucionais e dos próprios artesãos.

Thiago Monteiro - Planejamento Gov

O ofício da fabricação da viola de cocho é transmitido de pai para filho, assim como os ensinamentos para tocar os ritmos siriri e cururu.

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Texto: Larissa Klein | Assessoria de Imprensa Plaenge